O pensamento revela-se como
uma vibração no corpo mental que se comunica com a matéria externa e produz um
efeito. Portanto, o pensamento em si é uma força real e definida, e o
interessante é que todos nós possuímos esse poder. Cada pensamento produz dois
efeitos externos principais: uma vibração irradiante e uma forma flutuante.
Analisemos como ambas afetam o pensador e as outras pessoas.
Em primeiro lugar, vamos
lembrar da força do hábito. Se acostumarmos nossos corpos mentais com certo
tipos de vibrações, eles aprenderão a reproduzi-las com facilidade e prontidão.
Se pensarmos um certo tipo de pensamento hoje, amanhã será mais fácil repetir o
mesmo pensamento. Se alguém começa a pensar mal dos outros, logo se torna fácil
pensar pior, e torna-se mais difícil pensar no bem deles. Cria-se assim um
ridículo preconceito que cega totalmente a pessoa, impedindo-a de ver os pontos
bons de seus semelhantes, e aumentando enormemente o mal nos outros.
Em seguida seus pensamentos
começam a incitar as emoções, e como só vê o mal nos outros começa a odiá-los.
As vibrações da matéria mental excitam as da matéria astral densa assim como o
vento perturba a superfície do mar. Todos sabemos que ao pensar em nossos erros
facilmente nos irritamos e freqüentemente ignoramos a conclusão inevitável de
que, pensando racionalmente e com calma, prevenimos ou dissolvemos a raiva.
A forma de pensamento gerada
também reage sobre o pensador. Se o pensamento destina-se a alguém, a forma
dispara como um míssil na sua direção, mas se o pensamento, como acontece com
tanta freqüência, diz respeito principalmente ao próprio pensador, esta
permanece flutuando nas proximidades, pronta a reagir sobre ele e duplicar-se,
isto é, pronta a estimular na sua mente o mesmo pensamento mais uma vez. Para o
pensador parecerá que o pensamento surgiu em sua mente vindo de fora, mas a
experiência é, na verdade, apenas o resultado mecânico de seus próprios
pensamentos prévios.
Observemos agora como esse
fragmento de conhecimento pode ser usado. Obviamente todo pensamento ou emoção
produz um efeito de longa duração, pois fortalece ou enriquece uma tendência e,
além disso, reage constantemente sobre o pensador. Portanto, fica claro que
temos de ter todo cuidado com os pensamentos ou emoções que permitimos surgir
dentro de nós mesmos. Não podemos nos desculpar como tantos fazem, dizendo que
sentimentos indesejáveis são naturais em certas condições. Temos de usar o
direito de controlar nossa mente e nossas emoções. Se podemos habituar-nos a
procurar as qualidades desejáveis nas pessoas que conhecemos, e não as
indesejáveis, nós nos surpreenderemos ao descobrir como as boas qualidades são
numerosas e importantes. Assim começaremos a gostar delas e a não evitá-las, e
teremos, pelo menos, a possibilidade de fazer avaliações mais justas das
pessoas.
Podemos dedicar-nos ao
exercício útil de admitir apenas pensamentos bons e agradáveis e, se
persistirmos, logo começaremos a perceber resultados. Nossas mentes trabalharão
mais facilmente pelos canais da admiração e da simpatia ao invés da suspeita e
do menosprezo, e, quando nossos cérebros estiverem desocupados, os pensamentos
que se apresentarem serão bons e não maus, em uma reação natural das formas
graciosas que criamos para nos circundar. "O homem é aquilo que pensa em
seu coração", e obviamente o uso correto e sistemático do poder do
pensamento torna a vida muito mais fácil e agradável.
Reparemos agora como nossos
pensamentos afetam os outros. A ondulação irradiante, como muitas outras
vibrações na Natureza, tende a se duplicar. Por que um determinado objeto se
aquece diante do fogo? Porque a radiação das vibrações vindas da matéria
incandescente leva as moléculas do objeto a oscilarem mais rapidamente. Da mesma
maneira, se enviarmos com persistência ondulações de pensamentos agradáveis
sobre outrem, com o tempo uma vibração similar aos pensamentos de simpatia
surgirá naquela pessoa. Formas de pensamentos dirigidas para ela flutuarão à
sua volta e agirão quando surgir uma oportunidade. Assim como um mau pensamento
pode ser um demônio tentador tanto para o pensador quanto para outrem, assim
também um bom pensamento pode tornar-se um anjo guardião que encoraja a virtude
e evita o vício. Infelizmente é comum nos dias de hoje aquela atitude de estar
sempre procurando falhas nos outros, e as pessoas que agem assim não
compreendem o mal que causam. Se observamos suas conseqüências, veremos que o
hábito da bisbilhotice maliciosa é simples perversidade. Não importa se o
escândalo tem fundamento ou não; em qualquer dos casos ele só pode gerar o mal.
Nesta situação encontramos pessoas concentradas em algum suposto vício de
alguém, atraindo a atenção de muitas outras que, de outra forma, não se teriam
dado conta desse defeito.
Suponhamos que acusem sua
vítima de ser invejosa. De imediato centenas de pessoas começam a despejar no
infeliz sofredor torrentes de pensamentos sugerindo a idéia da inveja. Não é
claro que, se o pobre homem tiver tendência a esse desagradável vício, esta
seria grandemente intensificada pela avalanche que o atinge? E se, como
normalmente acontece, não houver qualquer razão para esse malicioso rumor,
aqueles que o espalhem estão fazendo de tudo para criar em sua vitima o próprio
vício de cuja existência imaginária eles tão selvagemente se regozijam.
Devemos pensar sempre nas
coisas boas de nossos amigos, não só porque isso é muito mais saudável para
nós, mas também porque assim elas se fortalecem. Quando formos obrigados a
reconhecer alguma qualidade má de um amigo, devemos ter o cuidado de não pensar
nela, mas, sim, na virtude oposta que queremos ajudá-lo a desenvolver. Caso ele
seja avarento ou pouco afetivo não devemos fazer comentários ou fixar nosso
pensamento nesse defeito, porque, se o fizermos, as vibrações por nós criadas
tornarão as coisas piores. Em vez disso, pensemos intensamente na
qualidade que ele precisa desenvolver, inundando-o com ondulações de
generosidade e amor, pois assim estaremos realmente ajudando nosso irmão.
Se o poder de pensamento for
usado com essas orientações, nós nos tornaremos verdadeiros centros de bênção
em qualquer lugar onde nos encontremos. Mas lembremos que essa força é
limitada; por isso, se quisermos ter o bastante dela para ser úteis, não a
desperdicemos.
O homem comum não passa de ser
um centro de vibrações agitadas. Encontra-se constantemente preocupado,
incomodado, estressado com alguma coisa, em depressão profunda ou, então,
excitado sem razão, ao esforçar-se para mudar alguma circunstância ou tratar de
conseguir algo. Por uma razão ou outra, está sempre desnecessariamente agitado,
muitas vezes por causa de coisas insignificantes. Isso quer dizer que está o
tempo todo gastando força, dissipando inutilmente algo pelo qual é diretamente
responsável e que poderia torná-lo mais feliz e saudável.
Outra situação que o leva a
dissipar muita energia são as discussões desnecessárias. Está sempre tentando
fazer alguém concordar com suas opiniões pessoais. Esquece-se de que toda
questão tem sempre muitos lados ou aspectos, quer se trate de política,
religião ou algum outro interesse de curto prazo, e que os outros também têm
direito ao seus próprios pontos de vista, o qual de qualquer modo nada importa,
pois os fatos permanecem os mesmos independente do que cada um pense. A maior
parte dos assuntos não vale a pena discutir, e, normalmente, aqueles que falam
mais alto e com mais confiança são precisamente os que menos sabem.
Quem deseja usar o poder do
pensamento de maneira útil, seja para si mesmo ou para os outros, deve
economizar suas energias, ser calmo, comedido e refletir cuidadosamente antes
de falar ou agir. Que não fiquem dúvidas de que essa força do silêncio é
muito poderosa. Qualquer um que se entregue ao trabalho pode aprender a
usá-la, e, com seu uso, cada um de nós pode progredir bastante fazendo um
grande bem para o mundo à nossa volta.
Deve compreender-se bem esse
poder do pensamento e o dever de reprimir pensamentos maus, egoístas ou
agressivos. Os pensamentos produzem seus efeitos, quer desejemos ou não. Um
homem sábio produz intencionalmente os resultados da sua ação mental. Cada vez
que controlamos nossos pensamentos, a próxima vez o controle fica mais fácil.
Enviar pensamentos positivos aos outros é algo tão real quanto dar dinheiro; e
é uma forma de caridade que até o mais pobre dos homens pode fazer. É errado
irradiar depressão. Ela impede os pensamentos elevados, causa muito sofrimento
às pessoas sensíveis e é responsável pela maior parte do medo noturno das
crianças.
Ao permitir que pensamentos
miseráveis e maldosos sejam descarregados sobre uma criança, como muitos fazem,
estamos envolvendo-a em penumbra, e isso não está certo. Esqueçam-se da
depressão e, em vez de ceder a ela, enviem pensamentos de fortaleza para os
doentes.
Nossos pensamentos não são -
como se poderia supor - assunto apenas da nossa própria conta, pois suas
vibrações afetam os outros. Os pensamentos maldosos têm alcance muito maior do
que as palavras, mas não podem afetar quem estiver totalmente livre da
qualidade que eles veiculam; por exemplo, o pensamento do desejo de beber não
pode penetrar no corpo de um homem totalmente abstêmio. Ele atinge seu corpo
astral, porém, como não pode penetrar, retorna ao emissor.
A vontade pode ser treinada
para agir diretamente sobre a matéria física. Para alguns talvez o exemplo mais
comum seja aquele do quadro usado muitas vezes nas práticas de meditação, no
qual podem ser observadas com freqüência alterações de expressão; as partículas
físicas são, sem dúvida alguma, afetadas por um pensamento forte e constante. A
Sra. Blavatsky costumava recomendar algumas práticas a seus discípulos,
dizendo-lhes para pendurarem uma agulha em um fio de seda e aprender a movê-la
pela força da vontade. Um escultor também usa o poder do pensamento, mas de
maneira diferente. Diante de um bloco de mármore, ele cria uma forte forma de
pensamento da estátua que deseja esculpir. A seguir coloca sua forma de
pensamento dentro do bloco e começa a remover o mármore que sobra fora da forma
de pensamento, deixando apenas a parte interpenetrada por ela.
Habituem-se a dedicar algum
tempo todos os dias a formular bons pensamentos e enviá-los a outras pessoas. É
uma prática fundamental para todos, e fará muito bem para as pessoas que os
recebem também, sem dúvida alguma.
C.W.Leadbeater
(Extraído da obra A
Vida Interna, C.W. Leadbeater, Editora Teosófica, 1996.)
Contribuição gentilmente
enviada por Alfredo Puig,
Vice-Presidente da Sociedade Teosófica no Brasil.
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